sábado, 19 de março de 2011

ecos de lo posible

tú desdientas las memorias mientras
yo paseo por mis manos una manzana
nuestras verdades míseras desnudas
amarillas maravillas
curvas de silencio que pulen las aristas
de esa nube que podría amenazar lluvia
de piedras y palos pero riega un suelo
donde a veces crecen flores impensadas
no te peso no me mides
nadie espera todo se reduce
a un culto de pequeños ruidos
los segundos discuten sobre nosotros
mientras el sol nace y nos ilumina
las manos aún calientes aún envueltas
en el último sueño
que me cuentas

édipo

vi-te a caminhar entre as arestas
entre as florestas virgens do todo
entre as linhas dos trens que nos afastam
tudo é longe quando a viagem é eterna
nada nos toca afinal
e tudo nos pertence
tudo dentro um todo
um nó górdio de idas e voltas
e nós comemos pão com a certeza
absurda do amanhã farto

mas no destino cruzamo-nos
a cada dia com o nosso filho
édipo
prestes a matar-nos por
um dá cá essa palha

sexta-feira, 18 de março de 2011

ahora que los días huelen mal

ahora que los días huelen mal
que el agua trepa las paredes de los cráneos
convertidos en macetas
nada nos separa nada nos une nada es todo es mentira
quién ha dicho que mañana va a llover
los lunes crujen porque siempre hace frío al regresar
no nos alejamos del pasado sino de lo imposible
no queremos ir al mar sino abrazarlo
y no llorar cuando se nos escurra entre los dedos
hay una brújula orientando al oeste donde todo es enterrable
donde nada nos juzga
donde podemos aplaudir lo cotidiano los despojos
el olor a frito y a cuarto de baño
donde podemos gritar sin esconder lo feo
permitir al otro ser lo que es sin eufemismos
no me quieres pero no importa yo tampoco
me quiero y
así seguimos por los siglos de los siglos a pecho abierto
preguntándonos quién has sido dónde he estado
porqué nos acercamos para hacernos daño

segunda-feira, 14 de março de 2011

medir as distâncias

ausente não dá
antes a vontade é

medir em olhares esquivos
nas distâncias os limites dos corpos
experimentar
o corpo da voz íntima
os matizes da cor da pele
o riso à sombra ao sol
o olhar o cabelo distraído de trás
uma mão esquecida que sai do bolso
e acidentalmente toca o rosto

aproximar-se sem dar por nada
deixar o cheiro vir no ar
e saber que oq ue a gente é
é o que a gente quer
para um tempo que não acontece

domingo, 13 de março de 2011

verdad

mi verdad es desapego
mi verdad es mi mentira
el fruto, los márgenes del ocio
todo lo que huele a tierra y se pudre
y convoca una lluvia sucia de fábricas
para alimentar el gusano de mis venas
mi verdad es no te quiero - aunque lo intento
mi verdad es no te echo de menos
empujo hacia dentro buscando la salida
la atmósfera irrespirable que generan
las heces del pasado indigesto
todo lo que huele a pobre y se acerca y husmea
entre mis ropas
buscando un hueco entre mis egos
una cueva entre telas perfumadas
donde asentarse y engordar el monstruo
que llevo dentro
mi verdad es sucia, te alcanza, te lame
huele a miedo

sábado, 12 de março de 2011

arroz doce

colocar-se sem velas nem altares
sob a proteção de gente
(deus não nos protege além dos nossos atos)

há um trilho aberto em direção ao leve
que torna tudo o tacto as palavras os olhares
num risco de devassa
é urgente guardar forças para verde riso arroz doce
não para muros grades arames farpados

não ser fraco nem visível
que ambas coisas dão no mesmo
e o ser humano é tão tão humano

terça-feira, 1 de março de 2011

astigmatismo

só ao longe posso ver-te de perto
não sei reparar nos pequenos defeitos
posso tão-só estudar os teus acenos
descubrir o que escondes enquanto conjugas verbos
como pronuncias torto as noites em silêncio
o sentido que ao pôr-do-sol tem o teu jeito
tudo o que me é impensado leve alheio
e fala alto de ti e dos teus anseios

quem nos dera uma praga
de astigmatismo para ninguém
ficar pelos contornos dos corpos
as pequenas rugas dos olhos
o tamanho ou a feição do pénis dos seios

domingo, 27 de fevereiro de 2011

confluir

calo e convoco na distância
o teu corpo apagado no nevoeiro
da memória de um quase encontro
o nosso empenho em fugir ao explícito
tudo tornado cores palavras
tu a olhar a dizer: aquela árvore é uma música
e eu querendo-te apenas a fazeres-me amor
sem gestos palavras pecados metáforas
do cabelo as roupas as idades as nações
como se não existisse o mundo a fome as dores
como se o nosso espaço o lençol onde encostar os corpos
crescesse além das fronteiras conhecidas
e o tempo tivesse sido criado apenas
para tudo confluir em eu tu uma superfície macia
um instante apenas um tudo-nada no tempo do universo
onde carimbar o gozo a ternura aprendidos noutras vidas
para depois eu tu tudo sumir deixando apenas um gosto doce
no paladar da memória que foi

amanhã

correr que nem perdida
para o lugar onde tudo acontece
ninguém ouvir os passos
apenas o mágico percebe o sentido
dos ouvidos alertas
tudo segue em frente como nunca
tempo para demorar nos sons nas paisagens
já não há por isso
segurar lembranças como hábitos
escondidos praticados pelas mãos sem ordem
como apertar os atacadores
ou afastar o cabelo dos olhos
tudo para estar presente no momento
em que o tempo
não seja mais o amanhã
o ponto de interrogação
as reticências
o que esperamos e nunca é
por essa sua condição essencial
de não chegar

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

quantum lenga-lenga

¿En qué estarán convertidos mis viejos zapatos?
¿Adónde fueron a dar tantas hojas de un árbol?
(Silvio Rodríguez)


una frase de einstein
ilumina los ojos de una mujer iraní
justo antes de que descubra su cabellera
que caerá y nutrirá el suelo
que alimenta a ahmadinejad

un átomo de hitler
circula por las venas
de un sionista que grita
muerte a los palestinos

una molécula de aire
del pulmón de mubarak vuela
para habitar el último aliento
de un joven llamado khaled said

de qué materia están hechos los gestos
las palabras las ofensas
todo lo que hemos guardado
para justificar la miseria?


adónde van las mentiras
de qué está compuesto el dolor
dónde se aloja el pasado
quién sustenta el odio la rabia
quiénes son el tú y el yo?