ahora que los días huelen mal
que el agua trepa las paredes de los cráneos
convertidos en macetas
nada nos separa nada nos une nada es todo es mentira
quién ha dicho que mañana va a llover
los lunes crujen porque siempre hace frío al regresar
no nos alejamos del pasado sino de lo imposible
no queremos ir al mar sino abrazarlo
y no llorar cuando se nos escurra entre los dedos
hay una brújula orientando al oeste donde todo es enterrable
donde nada nos juzga
donde podemos aplaudir lo cotidiano los despojos
el olor a frito y a cuarto de baño
donde podemos gritar sin esconder lo feo
permitir al otro ser lo que es sin eufemismos
no me quieres pero no importa yo tampoco
me quiero y
así seguimos por los siglos de los siglos a pecho abierto
preguntándonos quién has sido dónde he estado
porqué nos acercamos para hacernos daño
sexta-feira, 18 de março de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
medir as distâncias
ausente não dá
antes a vontade é
medir em olhares esquivos
nas distâncias os limites dos corpos
experimentar
o corpo da voz íntima
os matizes da cor da pele
o riso à sombra ao sol
o olhar o cabelo distraído de trás
uma mão esquecida que sai do bolso
e acidentalmente toca o rosto
aproximar-se sem dar por nada
deixar o cheiro vir no ar
e saber que oq ue a gente é
é o que a gente quer
para um tempo que não acontece
antes a vontade é
medir em olhares esquivos
nas distâncias os limites dos corpos
experimentar
o corpo da voz íntima
os matizes da cor da pele
o riso à sombra ao sol
o olhar o cabelo distraído de trás
uma mão esquecida que sai do bolso
e acidentalmente toca o rosto
aproximar-se sem dar por nada
deixar o cheiro vir no ar
e saber que oq ue a gente é
é o que a gente quer
para um tempo que não acontece
domingo, 13 de março de 2011
verdad
mi verdad es desapego
mi verdad es mi mentira
el fruto, los márgenes del ocio
todo lo que huele a tierra y se pudre
y convoca una lluvia sucia de fábricas
para alimentar el gusano de mis venas
mi verdad es no te quiero - aunque lo intento
mi verdad es no te echo de menos
empujo hacia dentro buscando la salida
la atmósfera irrespirable que generan
las heces del pasado indigesto
todo lo que huele a pobre y se acerca y husmea
entre mis ropas
buscando un hueco entre mis egos
una cueva entre telas perfumadas
donde asentarse y engordar el monstruo
que llevo dentro
mi verdad es sucia, te alcanza, te lame
huele a miedo
mi verdad es mi mentira
el fruto, los márgenes del ocio
todo lo que huele a tierra y se pudre
y convoca una lluvia sucia de fábricas
para alimentar el gusano de mis venas
mi verdad es no te quiero - aunque lo intento
mi verdad es no te echo de menos
empujo hacia dentro buscando la salida
la atmósfera irrespirable que generan
las heces del pasado indigesto
todo lo que huele a pobre y se acerca y husmea
entre mis ropas
buscando un hueco entre mis egos
una cueva entre telas perfumadas
donde asentarse y engordar el monstruo
que llevo dentro
mi verdad es sucia, te alcanza, te lame
huele a miedo
sábado, 12 de março de 2011
arroz doce
colocar-se sem velas nem altares
sob a proteção de gente
(deus não nos protege além dos nossos atos)
há um trilho aberto em direção ao leve
que torna tudo o tacto as palavras os olhares
num risco de devassa
é urgente guardar forças para verde riso arroz doce
não para muros grades arames farpados
não ser fraco nem visível
que ambas coisas dão no mesmo
e o ser humano é tão tão humano
sob a proteção de gente
(deus não nos protege além dos nossos atos)
há um trilho aberto em direção ao leve
que torna tudo o tacto as palavras os olhares
num risco de devassa
é urgente guardar forças para verde riso arroz doce
não para muros grades arames farpados
não ser fraco nem visível
que ambas coisas dão no mesmo
e o ser humano é tão tão humano
terça-feira, 1 de março de 2011
astigmatismo
só ao longe posso ver-te de perto
não sei reparar nos pequenos defeitos
posso tão-só estudar os teus acenos
descubrir o que escondes enquanto conjugas verbos
como pronuncias torto as noites em silêncio
o sentido que ao pôr-do-sol tem o teu jeito
tudo o que me é impensado leve alheio
e fala alto de ti e dos teus anseios
quem nos dera uma praga
de astigmatismo para ninguém
ficar pelos contornos dos corpos
as pequenas rugas dos olhos
o tamanho ou a feição do pénis dos seios
não sei reparar nos pequenos defeitos
posso tão-só estudar os teus acenos
descubrir o que escondes enquanto conjugas verbos
como pronuncias torto as noites em silêncio
o sentido que ao pôr-do-sol tem o teu jeito
tudo o que me é impensado leve alheio
e fala alto de ti e dos teus anseios
quem nos dera uma praga
de astigmatismo para ninguém
ficar pelos contornos dos corpos
as pequenas rugas dos olhos
o tamanho ou a feição do pénis dos seios
domingo, 27 de fevereiro de 2011
confluir
calo e convoco na distância
o teu corpo apagado no nevoeiro
da memória de um quase encontro
o nosso empenho em fugir ao explícito
tudo tornado cores palavras
tu a olhar a dizer: aquela árvore é uma música
e eu querendo-te apenas a fazeres-me amor
sem gestos palavras pecados metáforas
do cabelo as roupas as idades as nações
como se não existisse o mundo a fome as dores
como se o nosso espaço o lençol onde encostar os corpos
crescesse além das fronteiras conhecidas
e o tempo tivesse sido criado apenas
para tudo confluir em eu tu uma superfície macia
um instante apenas um tudo-nada no tempo do universo
onde carimbar o gozo a ternura aprendidos noutras vidas
para depois eu tu tudo sumir deixando apenas um gosto doce
no paladar da memória que foi
o teu corpo apagado no nevoeiro
da memória de um quase encontro
o nosso empenho em fugir ao explícito
tudo tornado cores palavras
tu a olhar a dizer: aquela árvore é uma música
e eu querendo-te apenas a fazeres-me amor
sem gestos palavras pecados metáforas
do cabelo as roupas as idades as nações
como se não existisse o mundo a fome as dores
como se o nosso espaço o lençol onde encostar os corpos
crescesse além das fronteiras conhecidas
e o tempo tivesse sido criado apenas
para tudo confluir em eu tu uma superfície macia
um instante apenas um tudo-nada no tempo do universo
onde carimbar o gozo a ternura aprendidos noutras vidas
para depois eu tu tudo sumir deixando apenas um gosto doce
no paladar da memória que foi
amanhã
correr que nem perdida
para o lugar onde tudo acontece
ninguém ouvir os passos
apenas o mágico percebe o sentido
dos ouvidos alertas
tudo segue em frente como nunca
tempo para demorar nos sons nas paisagens
já não há por isso
segurar lembranças como hábitos
escondidos praticados pelas mãos sem ordem
como apertar os atacadores
ou afastar o cabelo dos olhos
tudo para estar presente no momento
em que o tempo
não seja mais o amanhã
o ponto de interrogação
as reticências
o que esperamos e nunca é
por essa sua condição essencial
de não chegar
para o lugar onde tudo acontece
ninguém ouvir os passos
apenas o mágico percebe o sentido
dos ouvidos alertas
tudo segue em frente como nunca
tempo para demorar nos sons nas paisagens
já não há por isso
segurar lembranças como hábitos
escondidos praticados pelas mãos sem ordem
como apertar os atacadores
ou afastar o cabelo dos olhos
tudo para estar presente no momento
em que o tempo
não seja mais o amanhã
o ponto de interrogação
as reticências
o que esperamos e nunca é
por essa sua condição essencial
de não chegar
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quantum lenga-lenga
¿En qué estarán convertidos mis viejos zapatos?
¿Adónde fueron a dar tantas hojas de un árbol?
(Silvio Rodríguez)
una frase de einstein
ilumina los ojos de una mujer iraní
justo antes de que descubra su cabellera
que caerá y nutrirá el suelo
que alimenta a ahmadinejad
un átomo de hitler
circula por las venas
de un sionista que grita
muerte a los palestinos
una molécula de aire
del pulmón de mubarak vuela
para habitar el último aliento
de un joven llamado khaled said
de qué materia están hechos los gestos
las palabras las ofensas
todo lo que hemos guardado
para justificar la miseria?
adónde van las mentiras
de qué está compuesto el dolor
dónde se aloja el pasado
quién sustenta el odio la rabia
quiénes son el tú y el yo?
¿Adónde fueron a dar tantas hojas de un árbol?
(Silvio Rodríguez)
una frase de einstein
ilumina los ojos de una mujer iraní
justo antes de que descubra su cabellera
que caerá y nutrirá el suelo
que alimenta a ahmadinejad
un átomo de hitler
circula por las venas
de un sionista que grita
muerte a los palestinos
una molécula de aire
del pulmón de mubarak vuela
para habitar el último aliento
de un joven llamado khaled said
de qué materia están hechos los gestos
las palabras las ofensas
todo lo que hemos guardado
para justificar la miseria?
adónde van las mentiras
de qué está compuesto el dolor
dónde se aloja el pasado
quién sustenta el odio la rabia
quiénes son el tú y el yo?
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
adeus
assistir ao adeus dos nomes
sumindo como chuva
noutra erva
virando uma outra água
afastada
impossível ao tacto
do tempo do agora
despedir paisagens
que já não inquietam
noites com tendência para
nightmares
[palavra obscura
de qualidade líquida
maré noturna
a enfiar-se silenciosa
entre tudo o que somos
ventre sonhos lençóis]
não fazer mais sentido
e meus sentidos
voltarem a ser meus
embalos calmos
berços baloiços
dormidos
para o hoje o dia da luz serem
sonho de barco morno
ao longe pássaros risos
sol e pão com mel
de volta ao encontro
de um nós que
é
sumindo como chuva
noutra erva
virando uma outra água
afastada
impossível ao tacto
do tempo do agora
despedir paisagens
que já não inquietam
noites com tendência para
nightmares
[palavra obscura
de qualidade líquida
maré noturna
a enfiar-se silenciosa
entre tudo o que somos
ventre sonhos lençóis]
não fazer mais sentido
e meus sentidos
voltarem a ser meus
embalos calmos
berços baloiços
dormidos
para o hoje o dia da luz serem
sonho de barco morno
ao longe pássaros risos
sol e pão com mel
de volta ao encontro
de um nós que
é
domingo, 20 de fevereiro de 2011
a vida
o pulo sobre o instante
a ponta do pé na água do passeio
de um dia de chuva
a ponta da língua
que não se torna verbo
num segundo que já foi
sorriso de Buda
com olhos de samurai
a leveza de tudo que nos acontece
e não chora nem ri por ninguém
porque choro e riso se alimentam
da renúncia ao instante que se vive
a vida
o mergulho sem garrafa
tudo o que serve à disciplina do salto
sem vara
a ponta do pé na água do passeio
de um dia de chuva
a ponta da língua
que não se torna verbo
num segundo que já foi
sorriso de Buda
com olhos de samurai
a leveza de tudo que nos acontece
e não chora nem ri por ninguém
porque choro e riso se alimentam
da renúncia ao instante que se vive
a vida
o mergulho sem garrafa
tudo o que serve à disciplina do salto
sem vara
Subscrever:
Comentários (Atom)